As vezes, surge como um vento quente,
Em outras, um aveludado e macio encanto
Que resplandece em meus olhos em pranto,
Recitando receitas a meu coração carente.
As vezes, fico sonhando um lúdico amor,
Me vejo servo de fantasias loucas e poéticas
Onde me regojizo, sonho, grito em frenética
Mil desejos embebidos em fragrâncias de flor.
É a poesia, esse ópio de vicio que cometo,
É como andar solitário por um vasto deserto
Mas com vida, sem ficar com a boca seca.
É água pura jorrando pela alma sentida
Roupagem de palavras no divã da vida,
Alforria ao meu coração sem cerca!